Deficientes Visuais visitam museu de Paleontologia
Os rapazes tiveram contato também com um fragmento de meteorito lunar
CULTURA
Esta quarta-feira (22) foi bem especial no Museu de Paleontologia de Fernandópolis — conhecido como Museu dos Dinossauros —, onde dois alunos frequentadores da Associação dos Deficientes da cidade viveram momentos inesquecíveis.
Sem o sentido da visão (ambos são cegos de nascença), eles utilizaram outros sentidos mais aguçados para aprender: a audição e o tato. Acompanhados pelo professor Carlos Eduardo Maia de Oliveira (Cadu), que é o curador voluntário do museu, os rapazes Gustavo Fontes, de 36 anos, e Darilson de Jales, de 20 anos, tiveram a oportunidade de tocar nos fósseis e nas paleoartes enquanto ouviam explicações sobre as peças.
Em frente aos quadros, os presentes liam os textos para que eles pudessem entender a importância do acervo que estavam visitando. Um dos visitantes reconheceu, pelo tato, a costela de um dinossauro. Segundo o professor Cadu, o mundo desses rapazes reúne toque, sons, aromas e texturas. Quem acompanhou a visita se emocionou com o comportamento dos rapazes, que conseguiam entender cada mensagem, mesmo sem o sentido da visão.
Esta experiência foi proporcionada graças à orientadora social Patrícia Carvalho, que organizou a visita. O professor Cadu ressaltou, bem emocionado: “momentos como este fazem valer a pena todo o esforço empreendido neste projeto”. O ponto alto da visita ficou reservado para o final.
Os visitantes tiveram a oportunidade única — que ninguém teve até hoje — de tocar em um objeto raro: um fragmento de meteorito lunar. Esse pedaço da Lua se desprendeu após a colisão de um asteroide, viajou pelo espaço e caiu na Terra (na Mauritânia, África), compondo hoje uma exposição espacial.
Eles, com o fragmento lunar nas mãos, puderam sentir a textura e fazer uma conexão imediata com o objeto que viajou pelo espaço a uma distância de 480 mil quilômetros.
O museu da Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura de Fernandópolis já começou a tomar providências para conseguir placas desenvolvidas por impressoras 3D, que vão informar aos deficientes sobre a história das peças. Além disso, um sistema de áudio também poderá prestar as informações. O professor Cadu disse que os espaços culturais terão, cada vez mais, a inclusão de todos os moradores e visitantes que queiram conhecer o museu.